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Manfred Osterroht - Como perceber a vitalidade

Atualizado: 7 de ago. de 2023

Texto escrito a partir de uma palestra ministrada por Manfred von Osterroht, agrônomo Goethianista, um dos autores da metodologia ART. Agosto 2020.


Como perceber a vitalidade

1. Ano histórico da humanidade


Um dos primeiros aspecto a trazer, é o surgimento da ciência no ciclo evolutivo da humanidade. A paleontologia nos mostra os hominídeos, precursores dos seres humanos, que podem ser encontrados a idades cada vez mais distantes: Lucy - Australopithecus afarensis - com 3.3 milhões de anos, depois veio Ardi - Ardipithecus ramidus - com 4,4 milhões de anos. Em 2001 foi descoberta uma ossada com 7 milhões de anos - Sahelanthropus tchadensis - mas já tem trabalhos falando de outra ossada – Schad (incompleta) com 11 milhões de anos. Se colocar isso em uma escala de tempo de um ano, em que 12 meses correspondem a todo ciclo evolutivo do ser humano, a ciência surge nas últimas 3 horas; sendo assim, constatamos que a ciência é muito jovem, que ainda pouco se desenvolveu e poderá avançar muito sobre aspectos até hoje pouco pesquisados e entendidos.


Num contexto amplo, a vida é facilmente perceptível, para a maioria das pessoas, porém não é palpável. Ninguém contesta, quando encontra um cadáver, de que aquele ente está morto. Apesar de perceptível, a vida é muito difícil de ser definida. “Pesquiso e leio constantemente. Encontro que alguns autores descrevem a vida, outros a deduzem, mas uma definição do que é vida ainda não encontrei.”


A partir disso, diferentes enfoques para se perceber a vitalidade são apresentados:


2. Vida é um tipo de energia


O primeiro enfoque admite uma abordagem muito comum: associar a vida com energia. Assim, automaticamente um paralelo com a eletricidade se faz: ”Como se o ser vivo estivesse plugado, energizado, e o morto desplugado, sem energia. É comum escutar, esta trabalhando a meia carga”. Assim, a energia é descrita como um estado da matéria, e não como a matéria em si.


Atribui-se a essa visão do que é vida, o contexto em que a ciência se encontra. Junto com seu surgimento se deu início também a astronomia, a física, a matemática e a filosofia. Com a física, surge o conceito de que apenas o que é medido e quantificável é científico. Ao mesmo tempo surgem alguns autores como Goethe, Bach, Freud, Jung e Steiner que fazem um “contraponto” ao trazer aspectos mais “sutis” da vida. Todos eles sofreram forte repressão na época e foram condenados por não fazerem ciência, “mostrando assim que a sociedade tem uma dificuldade em mensurar o que é qualitativo”. Até mesmo a biologia - a ciência que estuda os organismos vivos - se estabelece como uma disciplina quantitativa, que se fecha na matéria.


Aparentemente essa dificuldade de aceitar o qualitativo como fato e como ciência é maior no universo masculino. Jung resgata em seu livro Sobre a Realidade da Alma exatamente isso, que as mulheres não tem a dificuldade de lidar com o qualitativo que os homens têm.


Steiner coloca que o corpo etérico da mulher é masculino. Talvez por isso a maior facilidade das mulheres em trazer para a concretude aspectos mais qualitativos.


Quando, recentemente, Manfred perguntou ao veterinário Matheus Paranhos em uma das suas aulas sobre comportamento animal: Quem sofre no animal? Obtive como resposta que é a psique, e que a psique não é espacial; entendi assim que haviam pesquisadores olhando para aspectos mais sutis.” Sim, apesar de haver uma negação no meio científico de abordar esses aspectos, encontramos atualmente cientistas que percebem e abordam esse tema, mesmo que de uma maneira ainda discreta.


2.1 Pistas do vivo, a vida e seu desgaste


Muitos sentem, hoje, a morte como algo significativo, ou seja, a perda da vida desperta um olhar mais completo, integrativo sobre esse jogo da vida e da morte.


Outra pista, dada por diversos médicos conhecidos por Manfred é de que: O ser humano começa a morrer no primeiro dia de vida. O desgaste da vida se inicia desde o primeiro minuto de vida com o enrijecimento dos tecidos. As medicinas que melhor lidam com esse assunto e que trazem as melhores sugestões de como adiar esse enrijecimento e a morte são aquelas dotadas de espiritualidade: a medicina chinesa, ayurvédica, antroposófica e japonesa são alguns exemplos. Alegria, pensamentos positivos, sociabilidade, interação com a natureza e bom sono são algumas das práticas por elas sugeridas. Práticas essas que não dizem respeito apenas ao corpo físico palpável, mas sim também emoções e interações com o mundo ao redor.


Trazendo para a realidade de 2020, por que pessoas jovens e mulheres são menos suscetíveis ao Covid do que os homens? Segundo Steiner, o corpo vital da mulher é mais potente que o do homem. Não seria esse um caminho de como chegar ao que é vitalidade? Mas haveria uma condição especial do corpo físico que de suporte a vitalidade? Para responder a essa pergunta pode-se comparar o reino mineral (considerando aqui não portador de vitalidade) com as plantas (portadoras de vitalidade). O mineral é composto por grande volume de silícios enquanto as plantas têm o carbono como núcleo, também sinônimo de firmeza e flexibilidade. Se formos além e pensarmos nos animais e seres humanos, ao carbono ainda soma-se o nitrogênio na forma de proteína e aminoácidos.

Parece haver uma ligação entre o carbono e a vitalidade.


3. Vida como “campo”, comparável ao magnético ou gravitacional


Um segundo enfoque para enxergar a vitalidade no corpo físico é observando uma árvore. Nota-se que no tronco a matéria é mais densa e endurecida, à medida que se caminha para os ramos, observa-se uma tendência a flexibilidade e a não matéria. Não é difícil aceitar que os ramos têm maior vitalidade do que os troncos, que estão mais próximos do reino mineral. Assim, a vitalidade tem uma tendência a ser algo que permeia a matéria, mas não é matéria. Um bebezinho mole é mais vital do que um ancião. “Nesse sentido a vitalidade pode ser entendida como um campo. Uma matéria tão fina que pode permear uma matéria mais densa.”




4. Vida como trama, como teia pulsante e permanentemente atuante


O terceiro enfoque para a vitalidade começa com uma constatação: a vida não foi feita pelo homem, apesar de que o homem lidar com ela desde sempre. A vida foi dada pela evolução e podemos ter veneração por ela, aceitar nossa real insuficiência: não sabemos como gerar vida. Somos é muito grato por ela!


O famoso experimento de Miller e Urey, onde um punhado de aminoácidos é gerado em laboratório, foi visto quase que como o início da descoberta da vida. Porém a questão mais básica eles não conseguiram descobrir, já que esses aminoácidos não são um organismo, mas sim parte de algo muito mais complexo. Um organismo sempre possui uma membrana e portanto... uma forma! Assim, o que define um ser como um organismo é a presença de uma membrana que separa seu mundo interno do mundo externo. Sendo que as leis naturais dentro desta membrana são outras que fora dela. Um fosforo dentro da planta passa por outras transformações diferentes que fora dela.


Mas o que define algo como um organismo? Segundo Goethe “estamos diante de um organismo quando um órgão for essencial para os outros e quando todos os outros forem essenciais para esse um”. Não existe órgão “sobrando”, tudo é composto por essencialidade. E dentro dessa interação, a vida se torna um pulsar: ao mesmo tempo em que respiramos o sangue foi filtrado, o olho pisca, o estômago digere. Assim, podemos ver a vida como uma trama pulsante; como descrito por Fritjof Capra no livro “A teia da vida”. Visão essa que pode ser estendida inclusive para o âmbito social, como para uma sala de aula ou uma organização econômica.


Na experiência de Manfred, existem duas coisas que dificultam enxergar a vitalidade como tal: (i) conceber o imaterial como algo real e o (ii) não-desenvolvimento de um olhar imaginativo. O que seria isso? Um olhar compreensivo que capta os processos atuantes em forma de imagem. Como desenvolver esse olhar que nos aproxima da concretude e realidade da vida como não matéria, mas como trama pulsante? “Na minha experiência, é necessário desenvolver primeiramente um olhar temporal/contextual, depois um olhar processual, a partir disso passar para um olhar arquetípico - ou seja, ver o que realmente é essencial - e então passar para um olhar que gera imagens - um olhar imaginativo.



Manfred Osterroht

Projeto ART



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Manfred - Como perceber a vitalidade
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